Monday, February 06, 2006

Amo os teus olhos.
Porque tremes quando o meu toque se confunde com o teu?
Quando me deito ao teu lado, os meus sonhos transformam-se em algodão doce.
Fico votado ao silêncio quando emudeces.
Não vás trabalhar hoje. Fica comigo.
O que é que esconde a tua pele?
Casa comigo.
Sim.

Escrito por Ana e Andreia à moda dos cadavres exquis

Monday, January 09, 2006

Conversas aleatórias

Para onde corre água?
Ontem despejei um pensamento cinzento numa jarra de vidro.
Onde começa a vida?
Nas entranhas do fim, onde os outros estão a cantarolar
Somos animais perdidos no meio dos humanos.
O vidro partiu-se.
A areia fere-me os pés.
O que é que escondes num caixão?
Este dedo é teu?
Tenho sempre um esboço de um sorriso na cara, nunca um sorriso
A vida sabe a chocolate.
Gostava de ter guardado o sabor daquele beijo numa caixa

Escrito por Ana e Andreia à moda dos cadavres exquis

Monday, December 19, 2005

Nas asas do tempo


Ouço o barulho de asas na ausência de tudo o que o tempo consome. Eu estou longe e ouço essas asas. O caos temporal esgota-me. Se elas voam, não podem estar ausentes. Se elas voam, propagam-se em torno dos nossos passos. Pena eu estar tão distante e as tuas asas cansarem-se no suor que quase está perto. Eu não tenho asas. O que esvoaça por aí é o tempo em que não estamos juntos. Tu és pedaços de tempo que se espalham pelo chão. Os mesmos que eu tento não pisar para não te perder. Mas o tempo esvoaça e os meus pés enraizaram-se na terra. Como consegues evitar-me? Não tropeças dentro de ti? Se tivesses raízes no chão que me segura, eu faria amor com a terra, faria amor com o tempo, faria amor com os restos de ti que me cobrem na memória. E deixarias-me ficar a apodrecer dentro de ti? E eu seria apenas um membro que o teu corpo expulsa sempre? Que não pode ficar aninhado, envolvido em ti. Prefiro ficar longe e chegar a ti como uma recordação que o vento sopra no teu ouvido. O tempo esmaga-nos na sua duração perpétua. Julga que nos venceu. Só que eu faço batota e, danças na minha mente da forma mais bela que já vi. É quando o tempo chora que nós sorrimos.

Friday, December 09, 2005

Em homenagem ao absurdo

O que significa amar?

Se te dissesse a verdade, mentia-te.

Quem inventou isso?

Oscila entre mim e ti.

A morte existe?

A resposta está diluída na nossa infância.

Dás-me o teu prazer sublime?

Basta um único beijo que dure para sempre.

Onde está Deus?

Sem comentários.

escrito por Ana e Andreia à moda doa cadavre-exquis

Friday, December 02, 2005

Promessas


Deixa-me dar-te a lua. Ela é tão bonita. E se ela não couber no meu bolso, como a trarei sempre comigo? Eu parto-a em pedacinhos e meto cada pedaço em cada bolso de cada calça. Não quero que cortes a lua. Quero-a inteira, como o teu amor. Então, deixa-me pintar o céu para ti. Se roubares a lua do céu, tens que pintar o pedaço que descobriste. Qual é a tua cor preferida? O cinzento dos teus olhos. Eu pinto-o dessa cor. Deixa-me roubar as estrelas para iluminar o teu quarto. E elas não incadearão os meus olhos? E se o fizerem, não vou perder os traços do teu rosto? Eu estarei sempre gravada no teu toque. E aceitas que te dê o mar? E se o mar se apaixonar por nós e nos afasta? E se o mar engole o caminho que te conduz sempre para mim? Eu luto com ele até viver. Vamos jogar à bola com o sol? Queres chutar a luz? Eu quero ficar bem escondida no calor dos teus braços. O teu aconchego não precisa da luz do sol. Deixa a lua no céu que o sol ilumina de dias e as estrelas de noite. Deixa o mar na praia. Levo-te para o nosso moinho. Aceitas o meu amor? É nele que adormeço.

Escrito por Ana e Andreia

Friday, November 25, 2005

Quem disse que o amor não se encontra no caos?


Fica bonita no reflexo que os teus olhos fazem do meu corpo

Quando os olhos pestanejam, o teu toque torna-se suave.

Prometes não me deixar cair?

Sinto-te deslizar em nós.

A tua pele absorve o sabor dos meus beijos.

A pele húmida pede de beber.

És transparente.

Os dedos acariciam o teu pescoço.

A tua respiração substitui o tempo.

O que arde em mim é a sensualidade do beijo.

Escrito por Ana e Andreia à moda dos cadavres exquis



Friday, November 18, 2005

Beijo de Vidro


As portas de vidro não escondem nada

Onde escondo então esse beijo que fugiu dos meus lábios?

Se fugiu, não te pertence

Escorregou

Como nós escorregámos quando éramos crianças?

Já não me lembro da nossa infância

Se calhar sonhei que éramos crianças

Espera lá! Nós não tivemos infância?

Tivemos sonhos, o resto já não tenho a certeza

Não falávamos do beijo?

Escorregou de ti para quem?

Para ele

E ele segurou-o dentro dos dedos?

Escorregou também

Como as palavras deslizam no vidro?

Vamos fechar tudo numa jarra

De vidro?

De barro

Ainda bem, porque a transparência não esconde nada

Eu beijei-o . Será que ele me perdoa?

Escrito por Anok@s e Andreia